Nesta semana, o panorama global da arquitetura nos convida a contemplar a rica tapeçaria que é tecida quando a arquitetura cívica se abre generosamente para a cidade que a cerca. Iniciamos nossa jornada com duas celebrações internacionais: o Dia Internacional da Energia Limpa e o Dia Internacional da Educação, que reverberam a importância de um futuro sustentável e esclarecido. Em Fano, Itália, uma descoberta arqueológica desvela uma basílica descrita por Vitruvius, entrelaçando o discurso arquitetônico contemporâneo com uma continuidade histórica profunda.
Enquanto isso, na África, o foco global se volta para o continente, onde a infraestrutura de transporte de grande escala e a conservação dos marcos modernistas refletem um renascimento de interesse na herança arquitetônica regional. A cada esquina, projetos culturais e institucionais são concebidos para reforçar sua relação com a vida urbana cotidiana, estabelecendo um novo paradigma de engajamento público.
Nos Estados Unidos, a construção avança no novo Museu de Arte de Memphis, projetado por Herzog & de Meuron. Esta instituição cultural, cuja estrutura em madeira se ergue em harmonia com o ambiente do parque, está programada para abrir suas portas em 2026, ansiosa por fortalecer os laços entre o museu e a cidade que o acolhe. Em Milão, o Santa Giulia Arena, de David Chipperfield Architects, desponta como uma joia de regeneração urbana, pronto para receber eventos esportivos e culturais nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Em Paris, o Renzo Piano Building Workshop revela planos para transformar o Centro Comercial Montparnasse em um distrito orientado para pedestres, convertendo um complexo comercial fechado em um destino urbano permeável e integrado ao espaço público. Na Holanda, os escritórios MVRDV e Buro Happold concebem o Teatro Lampegiet em Veenendaal, um edifício cultural transparente e acessível, que estreita laços com a cidade circundante.
No continente africano, projetos de infraestrutura de larga escala são anunciados com pompa. A Foster + Partners, em colaboração com o Ministério dos Transportes de Angola, apresenta um plano diretor para a Aerotrópole Icolo e Bengo, em torno do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto. Já a Zaha Hadid Architects inicia a construção do novo Aeroporto Internacional de Bishoftu, próximo a Addis Ababa, projetado para ser o maior da África.
Além disso, a atenção internacional se volta para o reconhecimento do patrimônio arquitetônico modernista africano. O Prêmio Bienal World Monuments Fund / Knoll Modernism foi concedido à conservação do Histórico Salão da África das Nações Unidas em Addis Ababa, um projeto do escritório Architectus, que reestabelece este marco do modernismo africano como um local ativo para diplomacia e troca cultural.
O projeto GROW, desenvolvido ao longo do Merwedekanaal em Utrecht, simboliza um distrito urbano sem carros, que mistura densidade urbana e diversidade arquitetônica em um plano sustentável. Com 18 edifícios desenhados por diferentes arquitetos, o distrito acomoda 575 residências e mais de 10.000 metros quadrados de comodidades, escritórios e espaços criativos, promovendo uma vibrante e sustentável vida comunitária.
Finalmente, em Tāmaki Makaurau, Auckland, o Te Ara Tukutuku transforma um antigo local petroquímico em um espaço costeiro regenerativo, ancorado no conhecimento indígena e práticas culturais. Este projeto, liderado pela Mana Whenua, integra a visão mātauranga Māori, tecendo uma narrativa onde terra, mar e pessoas coexistem em harmonia.
Ao longo de todas essas narrativas, a arquitetura cívica contemporânea se revela como uma sinfonia de espaços abertos e envolvidos com o público, onde o diálogo contínuo entre o passado e o presente molda o futuro de nossas cidades.