Estabelecer o conforto térmico exigia, outrora, uma inteligência arquitetônica muito mais deliberada e calibrada—um jogo de orientação, volumetria, comportamento dos materiais, potencial de ventilação, sombreamento e as maneiras como a luz do dia e as superfícies absorviam e liberavam calor. Essa não era uma questão meramente estética, mas de necessidade. Quando muitos dos edifícios modernistas de Hong Kong foram construídos no final da década de 1960 e 1970, formando uma parte substancial do estoque habitacional público e residencial da cidade, o ar-condicionado ainda não era um serviço onipresente e padrão. O resfriamento, mesmo quando existente, era limitado e distribuído de maneira desigual; o conforto precisava ser negociado por meios passivos, através da seção, profundidade da fachada, aberturas operáveis e detalhamento climático. Somente mais tarde, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, à medida que o ar-condicionado se tornava cada vez mais padronizado na região, o resfriamento mecânico começou a deslocar essa matriz anterior de tomada de decisões arquitetônicas. O ar-condicionado teve um efeito negativo sobre o espaço arquitetônico, particularmente em Hong Kong e na região próxima? A afirmação mais precisa é que a dependência generalizada do ar-condicionado rearranjou profundamente a estrutura de incentivos do design de edifícios.